Por Trás da Vidraça Voltar ao menu principal
por: Vera Lúcia Proença 25th, February, 2009
Através do olhar pequenino
Por trás da vidraça
Olhava a praça
Bela, colorida, com seu chafariz
A jorrar a dança das águas.

Era um pequeno menino,
Olhar pequenino.
Seu tamanho, mesmo esticando os pezinhos, quase que não alcançavam a parte inferior da vidraça, para ver, como queria, a praça,
Pessoas felizes,
Rapazes, moçoilas
Umas morenas,
Outras loiras.

No canto, o coreto
Que sempre recebia a magia da bandinha.
Oh! Que alegria aquele bucólico lugar tinha

E o menino,
Pezinhos esticados
A olhar a vidraça
Para ver a praça.

Crianças correndo,
Balões de ar coloridos,
Vendedores de pipocas e guloseimas
Mais faziam daquele momento
Um instante de reunião de vários ideais.
Como é a visão do menino, descalço, pequenino.

A vida corre fora da vidraça, e lá, diante dele, a praça.
Mas, como tudo evolui, tudo passa
As horas não conseguiram enganar o tempo que também passa.

Hoje, já não tem mais que esticar os pezinhos, que, aliás, cresceram um pouquinho.
Hoje, óculos caídos no rosto,
Sentado à cadeira com encosto,
Auxiliado por mãos amorosas,
Que o acomodam perto da vidraça
Para que o velhinho possa ver e admirar do seu cantinho, com saudoso e imenso carinho, na memória de tempos idos a praça e todos os seus coloridos.

- Vamos, vamos o palhaço está chegando!
Vão armar o circo!
Vão chamar a criançada, vamos brincar na calçada.
Porque, queridos, um dia tudo passa...

Que a ternura do Mestre Jesus faça parte de vossas vidas, e a serenidade lhes traga a paz e luz para a caminhada infinita.

Abraços.

CAMILLE FLAMMARION - Mensagens Psicografadas